Censura na Televisão? Isso parece piada, mas não é!

terça-feira, 22 de janeiro de 2008

Como já falei em alguns posts, neste Blog o Estatístico tem voz e/ou texto!!!

Ontem, recebi o e-mail do meu amigo e Estatístico, Sérgio Paulo Pires, que fez uma análise sobre os canais de televisão, sobre tudo os que apresentam programação nacional. Uma discussão interessante sobre quais interesses rodeiam nosso governo diante das emissoras. Vale a pena ler e se manifestar!



----- Original Message -----
From: "Sérgio Paulo - Latam"
To: "Christine Cardozo de Araujo est-UFPR"
Sent: Monday, January 21, 2008 1:23 AM
Subject: Tine leia no final... Censura na Televisão? Isso parece piada, mas não é.


Censura na Televisão? Isso parece piada, mas não é.

Recentemente tenho lido que será obrigatório o aumento do número de canais de televisão por assinatura de conteúdo exclusivamente nacional e a exigência de que todo canal por assinatura contenha um mínimo de sua programação também nacional.

O que aparentemente parece uma exigência mais do que justificada, me causa profunda preocupação.

Assisto TV por assinatura, pago por ela e conheço seu conteúdo. Dentre os mais de 60 canais disponíveis identifiquei que:

7 são canais abertos.
23 são canais de conteúdo nacional. Sendo desses:
6 canais com parte da programação voltada à programas de venda e anúncios que duram uma eternidade.
5 canais institucionais. Tv Câmara, TV Senado, TV Justiça, TV UFPR, TV da assembléia legislativa do PR.
2 de noticiário 24 horas.
7 são canais infantis. 6 estrangeiros e um nacional. Porém dois canais estrangeiros e o canal nacional possuem programação classificada como ER, ou seja, especialmente recomendada para crianças.
Os 32 canais restantes possuem programação variada, com filmes, seriados etc...

Resumindo, a distribuidora de sinal por assinatura que utilizo dispõe de 68 canais com 30 nacionais. Menos de 50%.

Acontece que a Comissão de Desenvolvimento Econômico, Indústria e Comércio definiu critérios por assim dizer "estranhos" para quantificar os canais disponíveis. Por exemplo, os seis canais abertos e os institucionais (Tv Câmara, TV Senado, TV Justiça) não somam como
canais de conteúdo nacional.

Se vários canais nacionais e dois canais estrangeiros vendem parte de sua grade de programação para repetir insistentemente programas de vendas, aumentar o percentual de produção nacional, aumentaria a qualidade dos programas? Ou aumentaria a quantidade de canais de vendas?

Se a questão é emprego, que venham mais canais estrangeiros, afinal quando assistimos programas voltados à América do Sul, exige-se dois tipos de legendas, uma para o Brasil e outra para todo o resto.

Ponto para nossa língua.

Vamos pensar sobre números... Segundo dados do IBGE compilados pelos sites abaixo citados...

http://www.abta.org.br/site/content/panorama/historico.php

http://www.teleco.com.br/estatis.asp

...em 2006, nos lares brasileiros 93% continham televisão, 74,5% telefone (fixo ou celular), 22,1% com computador, 16,9% com acesso à internet.

Isso representa que 53,2% da população possuía celular, 3% da população possuía banda larga para internet e apenas 2,5% da população tinham TV por assinatura, esse percentual representava pouco mais de 4.600.000 pessoas em 2006.

Não me parece claro tentar melhorar a "qualidade" da TV atingindo um público tão pequeno.

Melhor seria questionar porque depois de aprovar a classificação indicativa de programas pelo seu conteúdo e determinar que estados da nação que possuem fuso horário diferenciado tenham que retransmitir com atraso os programas em seus horários adequados, o governo tenha voltado atrás e adiado por mais 90 dias o início dessas transmissões que curiosamente coincide com o final dessa barbaridade chamada BBB8.

Algo me parece podre.

E para reforçar quero lembrar que ano passado assistimos a Venezuela retirar um canal de televisão do ar em um episódio nada claro do amigo do presidente.

Ao nosso atual governo tem sido atribuída a culpa pela ausência de determinados jornalistas que ao longo dos últimos anos teriam sido "retirados de cena".

Lembremo-nos de que em 2004 o governo enviou ao Congresso a proposta do Conselho Nacional de Jornalismo numa tentativa de intervenção na atividade dos jornalistas.

Qual será o próximo passo?
Bloquear determinados acessos à internet?
Impedir o livre acesso à informação?
Manipular as eleições?

Envio esse e-mail com cópia para o deputado em quem votei e para diversos amigos, incluindo aqueles que trabalham com comunicação.

Continuar essa discussão será nosso primeiro passo.

Grande abraço,
Sérgio Pires
Estatístico
20-jan-2008
--
PS.: Tine, através desse e-mail autorizo que você divulgue o texto acima em seu blog se assim você o desejar.



Você é Estatístico? Interessou-se em publicar sua análise sobre o mundo que nos rodeia aqui? Então mande seu texto ou vídeo para nosso e-mail, não esquecendo de autorizá-lo para publicação.

4 Observações:

Tine Araujo disse...

Achei sua análise super relevante.

Eu não tenho TV por assinatura, o que me faz passar maior parte do tempo com o aparelho desligado e/ou revendo os mesmos DVDs!!!

Não gosto de novelas e muito menos de BBBs (seja o número que for)!!!

Devemos lutar por uma programação de qualidade e, principalmente, por noticiários isentos de manipulação.

[>Dallai<] disse...

O que poderia dizer? Há tempos eu apenas me ocupo em ligar a TV no noticiário ou quando aparece algum filme interessante, mesmo que extremamente cortado. Qualidade na TV é coisa que já vem faltando há tempos...Sonia Abrão que o diga...

Wallace disse...

Sinistro...


Tine vc acaba de entrar para a estatística do Tigre de Muleta. Metade dos leitores adoram o blog. Outra metade odeia. Ainda tem uma terceira metade(?) que não sabe o que está fazendo lá...

Wilder disse...

Opa! retribuindo a visita... é muita coisa pra ler, oloco... mais me parece interessante, quando tiver um tempinh dou uma lida...

abraço