Pílula do dia seguinte: você sabe usar?

domingo, 2 de setembro de 2007

Uso da pílula do dia seguinte, remédio tomado contra o risco de gravidez, aumentou 80% entre as jovens brasileiras e pode se tornar uma aliada polêmica
Mônica Tarantino - Fonte: Revista Isto É – 02/07/07

A pílula do dia seguinte chegou há oito anos às farmácias brasileiras - e em 2004 começou a ser distribuída na rede pública. Trata-se de uma cartela de dois comprimidos com hormônios que têm a missão de dificultar a fecundação e, conseqüentemente, a gravidez. Bem antes disso, ginecologistas já receitavam combinações de anticoncepcionais com efeito idêntico às clientes inseguras com as conseqüências de uma relação sexual sem proteção ou marcada por incidentes como o estouro da camisinha. Ou seja, um recurso de emergência para situações de risco.

E haja emergência! A mais recente pesquisa sobre a sexualidade e a saúde das nossas meninas mostrou um aumento de 80% no uso do remédio em três anos. O estudo foi feito com 178 garotas com menos de 20 anos, atendidas nos serviços de referência para adolescentes paulistas. "Das 120 que já tinham vida sexual, 35,8% usaram a pílula de emergência pelo menos uma vez. Em 2004, esse número era menor: 20% recorreram ao método", diz a ginecologista Albertina Duarte Takiuti, responsável pelo estudo e coordenadora do Programa Estadual de Saúde do Adolescente de São Paulo.

O crescimento do uso da pílula revela que as garotas estão preocupadas em evitar a gravidez indesejada, mas, ao mesmo tempo, não estão tomando as devidas precauções para que isso não aconteça. Resumindo: não se valem de anticoncepcionais e, mais grave, não exigem que o parceiro use camisinha, expondo-se assim às doenças sexualmente transmissíveis. Em 60,5% dos casos avaliados pelo trabalho, as jovens que tomaram a pílula do dia seguinte fizeram sexo sem preservativo e não estavam usando nenhum outro método anticoncepcional. As demais usaram preservativos que teriam se rompido, segundo elas, durante a relação sexual.

A pesquisa também mostrou que a maioria das jovens conhece o método de última hora, mas isso não quer dizer que saibam como usá-lo. "Elas ignoram que pode falhar em 10% a 15% dos casos e o vêem como uma espécie de pílula mágica", diz Albertina. A estudante paulista Carla, 16 anos, descobriu isso na prática. "Esqueci da camisinha e meu namorado comprou a pílula do dia seguinte. Tomei certo, mas mesmo assim fiquei grávida", conta a garota, enquanto embala no colo a filha Mercedes, de sete meses. Agora ela usa um dispositivo intra-uterino para evitar nova gravidez. "Aproveitamos esse momento para uma ação educativa sobre a importância da proteção com anticoncepcionais e com a camisinha, por causa das doenças sexualmente transmissíveis", diz Albertina

Outro comportamento desaconselhável é o uso constante da pílula. Cerca de 46% das garotas avaliadas tomaram mais de uma vez. "Isso diminui a eficácia, mas elas desconhecem", explica a ginecologista Mônica Moreira, de São Paulo. A estudante de fisioterapia Júlia Salvatti, 21 anos, acredita que uma das explicações para o consumo repetido, até mais de uma vez por mês, é que algumas jovens tomam a pílula como se fosse mais um anticoncepcional. "Não é. Deveria haver mais campanhas para esclarecer como funciona de fato e sobre a prevenção da gravidez", afirma. Júlia tomou uma única vez, aos 19 anos, durante a fase em que interrompeu o uso regular de comprimidos anticoncepcionais por recomendação médica. "Deu certo, mas até minha menstruação chegar, dez dias depois do remédio, fiquei muito ansiosa. Não quero passar por isso de novo", diz.

A pesquisa de Albertina identificou mais áreas delicadas. "Cerca de 21% dos parceiros das meninas que usaram comprimidos do dia seguinte não participaram da decisão. Outros 7% não aprovaram a escolha. Isso mostra que o peso está caindo sobre os ombros das garotas, até mais do que em anos anteriores. Elas estão mais sozinhas", conclui. A questão ganha relevância considerando que a atividade sexual começa cada vez mais cedo, por volta dos 15 anos, e em geral depois de um mês de relacionamento com o segundo parceiro.

A grande procura pelo remédio mostra a real necessidade de ampliar o acesso a ele. Mais um passo nesse rumo será o início, em julho, da distribuição gratuita desse contraceptivo nos postos Dose Certa, em estações de ônibus, trens, metrô e hospitais. Também se discute os prós e contras de eliminar a necessidade de receita para que a mulher receba o remédio na rede pública dentro do prazo mais adequado, sem esperar pelas consultas. Resta ajustar o foco para que o acesso venha junto com a consciência de que a pílula deve ser usada como uma solução rápida para deslizes, e não no lugar da prevenção - sobretudo a camisinha, segura para evitar gravidez e doenças.
O melhor mesmo é orientar e insistir, principalmente, no uso da camisinha. Filho é algo que deve ser planejado, desejado... se não, podemos dizer que é mais um para sofrer no mundo... pois será culpado pelo que seus pais deixaram de viver na adolescencia... pense bem? Você se ama? Então exija a camisinha!

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