Quem é o pai do cálculo infinitesimal?

quinta-feira, 16 de agosto de 2007

Nem Newton, nem Leibniz
15/08/2007

Agência FAPESP – Uma das mais tradicionais polêmicas na matemática tem a ver com a paternidade do cálculo infinitesimal. Há três séculos se tem discutido sobre quem seria seu inventor: o inglês Isaac Newton (1643-1726) ou o alemão Gottfried Wilhelm Leibniz (1646-1716).

Agora, um estudo feito por pesquisadores de universidades britânicas afirma que não foi nenhum dos dois gênios, mas sim um grupo de matemáticos indianos, pelo menos 200 anos antes.

No fim do século 17, Newton teria sido o primeiro a aplicar o cálculo na física geral, mas Leibniz teria desenvolvido grande parte das notações e símbolos usados até hoje. Os seguidores do inglês destacam que ele teria sido o primeiro a anunciar, mas os rivais apontam que o alemão publicou primeiro. O próprio Newton teria acusado Leibniz de roubar suas idéias, apresentadas a alguns membros da Royal Society.

A controvérsia dividiu por muito tempo matemáticos do Reino Unido e da Europa continental até que, a partir da análise de anotações deixadas pelos dois, historiadores concluíram que ambos chegaram aos resultados independentemente. A solução foi dividir os louros, deixando aos dois a responsabilidade pela criação de um dos princípios básicos da matemática moderna.

Mas não é o que pensam George Gheverghese Joseph, da Universidade de Manchester, e Dennis Almeida, da Universidade de Exeter. De acordo com os cientistas, uma pouco conhecida escola na Índia teria sido o berço do cálculo infinitesimal.
Matemáticos e astrônomos da Escola Kerala teriam identificado as séries infinitas por volta de 1350. Os indianos também teriam calculado a constante pi corretamente até 17 casas decimais.

Além disso, segundo Joseph, integrantes da Escola de Kerala teriam transmitido seu conhecimento a missionários jesuítas que visitaram a Índia no século 15. As informações poderiam inclusive ter chegado ao próprio Newton, arrisca o pesquisador.

A descoberta de Joseph ocorreu enquanto o matemático, que nasceu na cidade de Kerala, no sudoeste da Índia, visitou bibliotecas do país em busca de material para a terceira edição de seu livro The crest of the peacock: the non-european roots of mathematics, que será publicado em breve pela Princeton University Press.

“A origem da matemática moderna é geralmente vista como uma conquista européia, mas as descobertas feitas na Índia medieval, entre os séculos 14 e 16, não podem ser ignoradas ou esquecidas”, disse Joseph. “Mas isso não diminui o brilhantismo do trabalho de Newton no fim do século 17, especialmente em relação aos algoritmos do cálculo.”

“Entretanto, nomes da Escola de Kerala, especialmente Madhava e Nilakantha, devem ser colocados ombro a ombro com ele, uma vez que descobriram outro componente fundamental do cálculo, as séries infinitas”, destacou.

Um artigo sobre a transmissão do conhecimento a respeito do cálculo de Kerala para a Europa será publicado em breve por Joseph e Almeida.
Matemáticos me mordam!!! Imaginem se as guerras, cruzadas e inquisições não tivessem queimado tantos livros... com certeza descobririamos outros pais para as descobertas do mundo... isso comprova como Deus é sabio e paciente, pois ensina várias vezes as mesmas coisas para pessoas diferentes.

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