O primeiro passo...

terça-feira, 27 de fevereiro de 2007

Entendendo a importância da Estatística sem ser gênio, matemático ou bruxo
Por Paulo Afonso Lopes

"Jornais, televisão, rádio, revistas e outros meios de comunicação nos bombardeiam, diariamente, com notícias, baseadas em estatísticas, como se fossem verdades absolutas. Nessa hora, provavelmente, você sente a importância de ser capaz de avaliar corretamente o que lhe dizem. Todavia, será que os números apresentados resultam de uma análise estatística cuidadosa? O perigo está no fato de que, se não consegue distinguir as afirmações falsas das verdadeiras, então você está vulnerável à manipulação por outras pessoas, cujas conclusões podem conduzir você para decidir contra os interesses seus e, depois, arrepender-se. Por estas razões, conhecer Estatística é um grande passo no sentido de você tomar controle da sua vida (embora não seja, obviamente, a única maneira necessária para esta finalidade).

Observe os seguintes exemplos de afirmações recentemente publicadas em dez meios de comunicação (não estou dizendo que cada uma delas seja verdadeira)· Sua expectativa é de que a inflação feche o ano entre 6% e 7%. (Folha de São Paulo, Dinheiro, 16 de maio de 2005)· Atualmente, a taxa de pacientes com câncer de pulmão que não apresentam reincidência depois de cinco anos de tratamento é de 17% – um avanço de 70% em relação à década de 70. (Revista Veja, edição 1905, 18 de maio de 2005)· As projeções de mercado para o IPCA de 2005 subiram de 6,30% para 6,39% em pesquisa semanal feita pelo Banco Central e divulgada hoje. (O Estado de São Paulo, 16 de maio de 2005)· Um estudo da Corporate Executive Board mostrou que a produtividade de um funcionário brilhante chega a ser até 12 vezes superior à do colega mediano.(Revista Exame, edição 841, 27 de abril de 2005) · De acordo com a Embratur (Empresa Brasileira de Turismo), a companhia aérea trouxe 1.473.183 dos 6.138.000 passageiros que entraram no país no ano passado, o equivalente a 24% desses passageiros.(Revista Aeromagazine, Notícias, 16 de maio de 2005)· IBGE: Emprego industrial cai 0,2% em março (JB Online, 16 de maio de 2005)· Os investidores que colocam todo seu dinheiro em uma única ação estão elevando em mais de 50% a chance de queda do poder de compra de seu investimento em um período de 20 anos, aponta o estudo. (JB Online, 17 de abril de 2005)· Nordestinos já são 52,6% dos migrantes (Jornal O Globo, 16 de maio de 2005)· Comércio varejista cresce 1,75% em volume de vendas e 2,44% em receita nominal (IBGE, 12 de maio de 2005)· Se a vítima não fosse o prefeito de Santo André, o impacto não seria o mesmo e o caso teria sido tratado como mera estatística. (Márcio Coimbra em http://www.ambito-juridico.com.br/aj/cron0237.htm)

Todas essas notícias são, na sua essência, Estatística. Elas parecem familiares, embora os exemplos sejam de áreas bastante distintas: economia, medicina, gestão, turismo, social, investimentos, comércio e até política. Em resumo, os números (também expressos por meio de tabelas e gráficos) e a interpretação deles surgem nos discursos de praticamente todo aspecto da vida contemporânea.

Desse modo, as estatísticas são, freqüentemente, apresentadas como um testemunho de credibilidade a um argumento ou a uma recomendação, fato que você pode comprovar ouvindo o veiculado nos meios de comunicação: o primeiro pensamento é acreditar na notícia como se fosse verdade absoluta. Recorde-se, então, do ex-primeiro-ministro britânico Benjamin Disraeli (1804-1881), quando afirmou que “Há três espécies de mentiras: mentiras, mentiras deslavadas e estatísticas”.

No entanto, Estatística é método, ciência e arte.

É método quando, na Física, na Biologia, na Medicina ou na Pedagogia, aplica-se a populações específicas, isto é, serve a uma ciência particular, da qual se torna instrumento. É ciência quando, graças às suas teorias, estuda grandes conjuntos, independentemente da natureza destes, sendo autônoma e universal. Finalmente, é arte na construção de modelos para representar a realidade.

Assim sendo, nem tudo está perdido, porque a Estatística pode ajudar você a reagir de modo inteligente às informações que lê ou escuta e, neste sentido, torna-se um dos mais importantes assuntos que provavelmente estudou.

O presente artigo tem o objetivo de motivar você a ser mais um dos consumidores inteligentes de estatísticas e, para ser um deles, o primeiro passo é refletir e começar a questionar aquelas que encontrar.

Por esta razão, convido você a reformar os seus hábitos estatísticos a partir de agora. Simplesmente, não mais aceite números, tabelas, gráficos e conclusões. Ao invés disso, comece a pensar nas fontes de informação e, mais importante, nos procedimentos usados para gerar essa informação. Defenda-se contra afirmações falsas, embrulhadas como se fossem estatísticas. Aprenda a reconhecer se uma evidência estatística apóia, realmente, uma conclusão apresentada.

A Estatística está toda ela em volta de você, algumas vezes usada de modo adequado, outras vezes não. Como o objetivo da Estatística é auxiliar a sua tomada de decisões em situações de incerteza, distinguir as boas das más estatísticas é, mais do que nunca, um dever, uma obrigação."

Motivada pelo texto do estatístico Paulo Afonso Lopes, resolvi dar o primeiro passo na busca da divulgação da Estatística e sua importância em nosso dia-a-dia.

Sei que não será algo definitivamente fácil, por isso espero contar com a colaboração dos amigos interessados pelo assunto.

1 Observações:

Cristina disse...

, poderia me enviar as fórmulas para os cálculos de:
Média Relativa

Média Aritmética

Desvio Médio

A Variância

Desvio Padrão

cristinamiosso@uol.com.br

Grata

Cristina M.