O outro lado...

quinta-feira, 22 de março de 2007

Quatro anos depois da invasão dos EUA, os iraquianos cada vez mais pessimistas
Internacional - 19/03/2007 - 10h13


"LONDRES, 19 mar (AFP) - Quatro anos depois da invasão do Iraque lançada pelos Estados Unidos, os iraquianos se declaram cada vez mais pessimistas quanto ao futuro e manifestam sua rejeição às forças da coalizão e sua desconfiança em relação ao próprio governo, segundo uma pesquisa encomendada pela BCC e outros três meios de comunicação que foi publicada nesta segunda-feira.

A pesquisa, realizada por ocasião dos quatro anos da guerra no Iraque, reflete que a rejeição à presença das tropas estrangeiras no Iraque aumentou consideravelmente neste período.

Segundo a pesquisa, 78% da população iraquiana é contrária à presença das tropas de ocupação e 69% acham que as forças da coalizão só fizeram piorar a situação.

Passados quatro anos, 51% dos iraquianos entrevistados aceitam que sejam realizados ataques politicamente motivados contra as tropas da coalizão. Esta cifra era de 17% há três anos.

A pesquisa, que reflete um Iraque cada vez mais polarizado entre sunitas e xiitas, não deixa dúvidas sobre o pessimismo dos iraquianos em relação a seu futuro, particularmente dos sunitas, hoje uma minoria excluída do poder.

Mais de 1.450 dias depois da invasão, 90% dos entrevistados se queixam da falta de eletricidade e combustível, enquanto 80% dos entrevistados se mostraram insatisfeitos com a falta de trabalho.

No total, 53% dos iraquianos expressaram sua desconfiança em seu próprio governo e apenas 26% afirmaram sentir-se "muito seguros" em seu próprio bairro, contra 40% há três anos, indica a pesquisa realizada pela empresa americana D3 Systems, que consultou mais de dois mil iraquianos nas 18 províncias do país.

A opinião atual dos iraquianos contrasta com a que tinham em 2005, quando uma grande maioria tinha esperanças no futuro do país, observa a pesquisa, que destaca que o pessimismo é mais marcado no centro do Iraque, incluindo Bagdá, onde se encontra o maior número de sunitas.

A pesquisa revela um país polarizado, apesar de uma maioria dos entrevistados (56%) não considerar que o Iraque esteja em meio a uma guerra civil. No entanto, essa porcentagem é bem menor entre os sunitas do que entre os xiitas.

As diferenças entre as duas comunidades religiosas se refletem particularmente na atitudes em relação à execução do ex-presidente iraquiano Saddam Hussein, cujo suposto arsenal nuclear - nunca encontrado ou comprovado - foi a razão dada por Washington e Londres para invadir o Iraque.

Os sunitas questionam a morte de Saddam, que consideram inapropriada, opinando, além disso, que é improvável que sua execução ajude a causa da reconciliação, enquanto os xiitas opinaram o contrário.

Mas, apesar da crescente polarização no tecido social iraquiano - que muitos consideram irreversível - 94% dos pesquisados expressaram que não querem que as diferenças étnicas e religiosas terminem dividindo o país.

A pesquisa foi divulgada por ocasião de um aniversário que voltou a colocar nas ruas neste fim de semana milhares de manifestantes em dezenas de cidades de todo o mundo.

Em Washington, mais de 50.000 pessoas se manifestaram no sábado para exigir o fim da guerra no Iraque, que já custou a vida de milhares de civis iraquianos e mais de três mil soldados americanos. "



Quatro anos de uma guerra sem argumentos sustentáveis. Espero que os governantes prestem atenção nos resultados apresentados pela pesquisa e que essa guerra chegue ao fim.

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