Epilepsia é uma palavra de origem grega

sábado, 10 de março de 2007

Pesquisa realizada na Unicamp cria a escala de estigma na epilepsia
Rosana Lee


“Estimativas da Organização Mundial da Saúde apontam que cerca de 3 milhões de brasileiros tenham epilepsia, mas a maioria deles poderia estar com as crises controladas

Um trabalho de doutorado realizado por uma psicóloga do Departamento de Neurologia da Faculdade de Ciências Médicas da Unicamp, procurou dimensionar o tamanho do preconceito em relação às pessoas que tem epilepsia.

A pesquisa começava com a pergunta: Você contrataria uma pessoa que sofre de epilepsia para trabalhar em sua casa?, e foi feita com um total de 1850 entrevistados de várias regiões da cidade de Campinas.

Foram incluídos também pacientes com epilepsia no levantamento, para avaliar como eles mesmos percebem o preconceito que os atinge.

A partir de um questionário com 100 perguntas abertas foi possível criar a escala, que mostra que as mulheres tem maior percepção do estigma do que os homens, conforme declarou a autora do trabalho, a Psicóloga Paula Teixeira Fernandes Boaventura.

Ela afirma que o resultado aponta que o preconceito contra a pessoa com epilepsia é muitas vezes mais estressante e prejudicial do que a própria condição.”


Mais umas daquelas notícias que deixam a gente pela metade. Na busca de complementos encontrei dados relevantes:



“- Quando testemunhamos uma crise, tudo o que devemos fazer é apoiar a cabeça da pessoa para que não se machuque, virar seu rosto de lado para que não aspire a saliva e esperar o fim da crise. O socorro deve ser chamado em raras ocasiões, como por exemplo, quando a crise se prolonga por mais de cinco minutos ou há crises repetidas sem que a pessoa recobre a consciência.

- Escala – A partir de um questionário com cem perguntas abertas – “o que é epilepsia?”, “o que sabe sobre o tratamento?”, “quais as dificuldades que a pessoa com epilepsia enfrenta no dia-a-dia?” – Paula Fernandes chegou a uma “escala de estigma na epilepsia”, com dez perguntas altamente consistentes – e devidamente avalizada por especialistas quanto à sua abrangência para mensuração. Aplicada em 1.850 entrevistados de várias regiões de Campinas, e feitos os cálculos estatísticos, a escala permitiu verificar as diferenças de percepção do estigma conforme o sexo, religião, classe econômica e nível de escolaridade. Como pacientes com epilepsia também foram incluídos no levantamento, pôde-se avaliar como eles próprios percebem o preconceito que os atinge.

- Percebemos que o preconceito está muito próximo ao que se tem da Aids, talvez por causa da impressão equivocada de letalidade e de contágio da epilepsia.

- Terapia – Na opinião de Paula Fernandes, o preconceito contra a pessoa com epilepsia é muitas vezes mais estressante e prejudicial do que a própria condição. Por não encontrar barreiras étnicas, sociais, etárias ou sexuais, a epilepsia é freqüentemente associada com dificuldades psico-sociais. Entre as questões colocadas por pacientes entrevistados na pesquisa em Campinas, sobressaem as dificuldades no mercado de trabalho e nas relações afetivas. “Alguém que admita ter epilepsia dificilmente será contratado e, se trabalha, será demitido na primeira crise. O estigma persegue a pessoa também quando tenta namorar e constituir família. A inserção na sociedade fica muito difícil. Muitos se isolam por vergonha e nem procuram o tratamento adequado”, ressalta a psicóloga.

- Paula Fernandes assiste pacientes com epilepsia no ambulatório da FCM e destaca a importância da terapia em grupo para que eles troquem informações e experiências, com o objetivo de melhorar a auto-estima, autoconfiança e habilidades sociais. “O paciente muitas vezes não se sente querido e se acha incapaz de realizações. Não raro, atribui esta incapacidade às crises epilépticas, quando o estigma, na verdade, é que o incapacita. Quem tem a doença sob controle pode levar uma vida normal. Por um lado, nosso trabalho é capacitá-lo para que se insira na sociedade; por outro, devemos preparar a sociedade para melhor recebê-lo, informando corretamente sobre o que é epilepsia. Não adianta convencer o paciente de que ele é capaz se a sociedade não o aceita.”



Para finalizar esse post que dizer que epilepsia é uma palavra de origem grega que significa “ser invadido” ou “ser possuído”.E fui possuída em meu coração a divulgar esse problema, não só porque mostra a utilização da Estatística, como traz para a realidade um problema social com o qual devemos ser mais sensíveis.

O trabalho de doutorado da psicóloga Paula Teixeira Fernandes Boaventura recebeu o prêmio Young Investigator Award, no 26º Congresso Internacional de Epilepsia, realizado em Paris. Para saber mais clique aqui.


E lembrem-se: estigma é uma marca, um sinal natural do corpo; já o preconceito é um erro!

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