terça-feira, 13 de janeiro de 2009
Sábado, 10 de janeiro de 2009, 15h14 - Ashlee Vance
A linguagem está se tornando padrão porque os processos de mineração de dados vivem uma era dourada, quer estejam em uso para determinar preços de publicidade, descobrir novos medicamentos mais rápido ou fazer a sintonia fina de modelos financeiros. Empresas as mais diversas, como por exemplo Google, Pfizer, Merck, Bank of America, InterContinental Hotels Group e Shell, estão usando a linguagem R.
E a R também é grátis. Ela vem na forma de um programa de fonte aberta, e sua popularidade reflete uma virada no tipo de software preferido pelas empresas. O software de fonte aberta pode ser usado e modificado livremente por todos. IBM, Hewlett-Packard e Dell faturam milhões de dólares ao ano vendendo servidores acionados pelo sistema operacional aberto Linux, que concorre com o Windows, da Microsoft.
A R é semelhante a outras linguagens de programação, como C, Java e Perl, porque ajuda as pessoas a executar ampla variedade de tarefas de computação ao lhes fornecer acesso a diversos comandos. Para os estatísticos, porém, a R é especialmente útil porque contêm diversos mecanismos incorporados para a organização de dados, execução de cálculos sobre informações e criação de representações gráficas de conjuntos de dados.
O que torna a R tão útil - e ajuda a explicar sua rápida aceitação - é que estatísticos, engenheiros e cientistas podem melhorar o código de software básico ou escrever variações para tarefas específicas. Pacotes escritos para a linguagem R acrescentam algoritmos avançados, gráficos coloridos e texturizados e técnicas de mineração para vasculhar bancos de dados mais a fundo.
O setor de serviços financeiros demonstrou especial afinidade pela R; existem diversos pacotes para análise de derivativos, por exemplo.
Criadores
A R apareceu inicialmente em 1996, quando os professores de estatística Ross Ihaka e Robert Gentleman, da Universidade de Auckland, Nova Zelândia, começaram a distribuir o código como um software de fonte aberta. De acordo com eles, a idéia de desenvolver algo como a R surgiu de conversas que tinham nos corredores da universidade.
Por não terem muito treinamento em computação, os professores viam seus esforços de criação de software mais como jogo acadêmico do que como qualquer coisa mais séria. Mas mesmo assim, a partir de 1991, eles passaram a dedicar muito tempo à R. “Por cinco ou seis anos, trabalhávamos juntos o tempo todo”, disse Gentleman. “Um digitava e o outro pensava”.
Os co-criadores da R estão satisfeitos com o sucesso de seu trabalho e do trabalho de centenas de voluntários. Ihaka ainda leciona estatística em Auckland, e Gentleman hoje trabalha no Centro Fred Hutchinson de Pesquisa do Câncer, em Seattle.
Tradução: Paulo Migliacci
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